6000 Km depois 🎂 / by Joel Araújo

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4 de Novembro

4 de Novembro de 2017 foi, como se costuma dizer, um bom dia para ficar em casa. Daqueles dias frios, chuvosos e nublados.

Ainda assim, ainda bem que saí. Acordei bem cedo para ir com o meu pai a Santa Eulália, Arouca - cerca de uma hora de viagem do Porto - a um lugar chamado Casinha, bem escondido no interior rural do distrito de Aveiro. Daqueles sítios com nomes que não aparecem no Google Maps. Aparentemente insignificante, este é um indício que tem um peso importante nestas situações: É que regra geral, sabes que vais fazer um bom negócio quando vais buscar um carro a um sítio que nem aparece no mapa. Isto é motivo suficiente para demover outros tantos possíveis compradores. E como diz o ditado “Se não fores lá tu, vou eu”, acabei eu de inventar.

O primeiro ano com o Corolla começou de forma bastante atribulada. Viver pela primeira vez com um automóvel a entrar nos quarenta requer um período de adaptação, mas sobretudo de consciencialização: Os controlos, a segurança, os equipamentos. Tudo é de tal forma antigo e arcaico que se torna exótico. Tudo emite sons estranhos e existe sempre algum cheiro constante, normalmente a gasolina.

 
Tes
 

A nova aquisição

Procurar, negociar e fechar negócio num novo clássico é provavelmente o mais próximo que alguma vez estarei de experimentar drogas pesadas. A ansiedade de fechar o negócio, a adrenalina da nova aquisição, a sensação flutuante dos primeiros metros ao volante de um carro “novo”. O sorriso rasgado e o cair na realidade: Isto está mesmo a acontecer. É meu.

 
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A primeira viagem

Após a aquisição, o Corolla não subiu para um reboque. Nem tão pouco voltou para Braga directo para uma oficina. O Corolla foi directo de Arouca para o Museu do Caramulo, a cerca de 1h30 de distância. Se for a somar, penso que fiz 400km no primeiro dia. Afinal de contas, este é o meu carro de trabalho, um que no primeiro dia ao serviço me levou a fotografar a fantástica coleção de brinquedos do museu, que entretanto foi parar ao Petrolicious.

 
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Toyota Day 2017

Ao longo do tempo tenho evitado escrever o que penso sobre o Toyota Day. Por momentos vou fingir que estou em negação e suprimir qualquer sentido auto-crítico que possa ter à minha marca de eleição.

 
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A benção dos amigos

E por falar em Alfistas… Provavelmente não são as melhores pessoas para deixar fazer juízos sobre um Toyota. Mas neste caso é um bom amigo, e até gostou.

 
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O restauro: Revisão mecânica

Só da primeira viagem, fiquei a saber que o Corolla tinha uma fuga de escape do tamanho de uma bola de golfe. Fiquei a saber que a direção tinha um desvio estranho e que o volante tremia aos 70km/h. Sabia também que o ponteiro da temperatura não funcionava, não fosse este ponteiro a peça mais importante de um carro antigo. Fora isto, tudo era uma incógnita. Por muito que o vendedor diga que foi tudo revisto, tudo trocado, e que “é só dar à chave”, nunca é verdade. O amigo Hugo Reis tem uma teoria que prevê que em qualquer nova aquisição, serão sempre necessários investir 1000€ em cima do preço de compra para colocar o automóvel num estado de circulação razoável, e eu concordo totalmente.

 
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O restauro: Pneus

A primeira paragem do restauro do Corolla foi nos amigos Ramôa em Braga, reputada casa de pneus na região do Minho. Encontrar pneus decentes para jante de doze polegadas não é tão imediato como para uma medida mais moderna, mas também não é tarefa impossível. Se há aspecto em que não se pode poupar é nos pneus, e portanto a escolha recaiu em 4 Falken 155/80 R12 Sincera SN832 novos. Para o intervalo de preço, não podia estar mais satisfeito.

 
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O restauro: Linha de escape

Parte do plano de um restauro é definir muito bem quais são as melhores casas a trabalhar com cada aspecto específico do automóvel. No caso da linha de escape, para resolver a fuga cavernosa na panela central, recorri, por recomendações cruzadas, à Escapcar e Braga. Quando foi vez da panela traseira ceder, não tive dúvidas onde ir.

 
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Regresso à origem

Em 2015, o grupo Aveirense “Clássicos na Pista”, liderado pelo meu “padrinho” Francisco Lemos, foi a minha porta de entrada para o mundo dos clássicos. Dois anos depois, voltava à origem, a uma cidade que adoro onde vivi, para mostrar quanto o “puto” cresceu.

 
 
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Novos amigos: Amigos dos Japoneses Antigos

Os encontros mensais do AJA - Amigos dos Japoneses Antigos passaram a ser o meu local de eleição nos Domingos de manhã, quando me dirijo ao Porto para visitar a família aos fins de semana. Identifico-me muito com este clube, e tenho recebido deles uma ajuda fulcral no processo de restauro do KE20. Estou tão agradecido que, de facto, acabei por me tornar sócio do clube antes do final do ano.

 
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A primeira pausa de dois meses

Até então a experiência de conduzir um clássico da década de 70 estava a provar-se de certa forma inconsistente. Apesar da alegria proporcionada pela novidade, recorrentes problemas mecânicos e demais imprevistos estavam a transformar cada pingo de optimismo em frustração. Quando a situação parecia estabilizar, dá-se um golpe que meteu o Corolla na oficina durante 2 meses. Bandidos.

 
 
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O regresso

Não sou fã de Janeiro e Fevereiro. Chegou Março e, depois de meses na oficina, sinto que foi a partir deste ponto que consegui começar verdadeiramente a desfrutar deste carro.

 
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Assuntos mundanos: Ir às compras

Ir às compras de clássico significa que finalmente estou a usa-lo como deve ser. A mala é grande, o que também ajuda.

 
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International Drive it Day 2018

O primeiro grande evento em que participei foi a celebração internacional do Drive it Day, que este ano decorreu em Braga. Para além do encontro, não precisei esperar muito para estrear o carro em pista no Circuito Vasco Sameiro, mesmo que a ritmo de passeio.
Foi muito bom. Tão bom que escrevi um resumo completo do Drive it Day 2018.

 
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O primeiro passeio

Finalmente, bom tempo. Não há nada mais relaxante que ir dar um passeio com amigos. E não há local mais bonito para o fazer que a serra do Gerês. Há fotos, e podem vê-las na celebração dos 39 anos do Corolla.

 
 
 
 

Novos amigos: Clube Minho Clássico

Finalmente consegui ir a um dos encontros mensais do Clube Minho Clássico. A qualidade do espaço define muito o interesse de um encontro de automóveis antigos. No caso da marina de Viana do Castelo com a ponte Eiffel como pano de fundo, estamos perante um caso vencedor.

 
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Subir a rampa da Falperra

A rampa da Falperra é um evento motorizado obrigatório para todos os fãs de campismo selvagem, motosserras, sestas à sombra, minis frescas, porco no espeto e fugas à PSP. Ao que consta, foi um dia que teve tanto de divertido como de atribulado, como podem ler na história sobre Como não subir a Falperra.

 
 
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Encontro nacional do AJA - Amigos dos Japoneses Antigos

Depois de em 2016 ter feito a EN2 de Chaves a Faro no meu Toyota Starlet, a sucessão lógica foi a EN222, de Gaia a Vila Nova de Foz Côa, junto ao rio Douro. Apelidada como uma das melhores estradas do mundo, foi um prazer fazer parte dela num encontro muito bem organizado pelo AJA, como já é habitual.

 
 
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A segunda pausa de 2 meses

Não quero parecer “mãe-galinha”, mas tal como na primeira pausa, o Corolla não teve qualquer responsabilidade nesta segunda paragem. Desta vez fui eu que fui dar uma longa volta pelas Índias, curiosamente, também 2 meses. Viagem que adorei descrever na série The Indian Job.

 
 
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Caramulo Motorfestival 2018

Acabado de regressar do oriente, fui directo ao Caramulo, peregrinação obrigatória desde 2014. Ainda assim, só este ano o consegui fazer no formato que sempre quis. Eu, amigos e o carro. Um fim de semana incrível, naquele que foi provavelmente o melhor Caramulo Motorfestival de sempre.

 
 
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A certificação

Antes de fazer um ano na minha posse, o KE20 teve um pequeno presente. A certificação como automóvel de interesse histórico, cedida pelo Museu do Caramulo. Um forte incentivo para continuar o trabalho de restauro e manutenção deste modesto, mas especial Sedan familiar dos anos 70.

 

A terceira pausa de 2 meses.

“Ok, está a surgir aqui um padrão” pensas tu. Desta vez, porém, a pausa foi planeada. Devido ao ponto anterior, o Corolla já não necessita de participar nas IPO anuais. Contudo, pretendo substituir esse evento por um bem mais útil: Uma revisão anual, no santuário dos Japoneses Antigos, a oficina dos amigos Umtali Auto Classics.

No início de 2019 espero estar de volta aos comandos do Corolla, para mais 6000, ou mais quilómetros de histórias.

Até lá, bom ano a todos os leitores.


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